terça-feira, 20 de junho de 2017

THe ALLusiando Ideias 05

The ALLusiando Ideias 05
Vinicius Osterer, Junho de 2017
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1


A Ideia Nunca Morre: A arte de viver do utopismo

O que seria do ser humano se não existissem os otimistas que acreditam que as coisas mudam ou que possam melhorar? Passei a noite sem dormir com uma das minhas crises de pensamentos e insônia. E pensei sobre uma ideia (se isso não for redundante, já que o simples fato de se ter uma ideia é uma força de pensamento): a ideia nunca morre?
Confesso que parei para ler um pouco daquilo que já havia aprendido durante o período acadêmico (perto das quatro da manhã), em uma das tantas aulas de história da arquitetura, não vou me recordar ao certo o ano em questão, talvez terceiro, e me deparei com um punhado bem grande de informações, que preencheram significativamente as respostas de minhas perguntas.
Mas não parei por aí, a história geralmente se importa com as coisas materiais, deixando de lado o imaterial que na teoria, se fragmentado, pode gerar um punhado significativo de informações, mesmo que utópicas. Sendo assim, parti para minhas pesquisas sobre o assunto e achei um ensaio espetacular sobre projetos não-construídos*.
Segundo os próprios autores, os projetos não executados possuem sua importância por apresentarem elementos e ideias que caracterizam o pensamento do próprio arquiteto, servindo de inspiração para projetos futuros. Ressaltam ainda que as ideias são perenes, ou seja, podem permanecer eternamente ou por um longo tempo e sobreviver mesmo se não materializadas em forma de uma edificação.
São nessas experimentações (croquis e desenhos), muitas vezes baseados no utopismo, que o arquiteto cria, experimenta e define a sua linguagem projetual. O que dizer das ideias não realizadas de Leonardo Da Vinci, Mies van der Rohe, o grupo Archigran, Le Corbusier, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas?
Foram estas ideias, ou protótipos de experimentação, que anteciparam muitas das mudanças na maneira projetual destes arquitetos, ou previram ideias que posteriormente modificariam os rumos da arquitetura, como no caso da Villa Savoye, idealizada anteriormente já com muitos de seus princípios, por Le Corbusier.
Mas, não devemos deixar de pensar que utopismo não é o mesmo que escapismo: escapar da realidade figurando apenas o futuro. Nem tudo que é idealizado, apesar de cogitar pelo novo, possui um caráter ou técnica a ser desenvolvida e seguida. Devemos lembrar que o resultado final de toda ideia e experimentação é a sua colocação em prática. Apesar de perene, a ideia só pode ser comprovada quando executada, perdendo a característica empírica e utópica que a criou.

Ideia de Revitalização do Rio de Janeiro por Le Corbusier – 1929

Edifício Pedregulho – Reidy 1947 – Rio de Janeiro

Mas aonde eu quero chegar com tudo isto?
Talvez uma péssima ideia não morra, apenas não vingue. E posso estar errado, assim como já estivesse milhares de vezes. Tenho uma única certeza: a de que minhas ideias saem do meu coração.
Quando idealizei em um plano apenas mental o que seria a The Allusion, vaguei imensamente pelo plano da utopia, daquele garoto que sempre sonhou em fazer algo dar certo. Nunca cogitei colocar as coisas no plano da realidade, talvez por que sempre fui escapista, fugindo daquilo que não sabia se era correto. Tinha medo de fracassar, medo de fazer um papel ridículo, e essas coisas se esvaíram, caírem por terra.
O amor pelo que eu faço não paga minhas contas, não enche meu bolso, não me faz ser um capitalista nato. Mas The Allusion não foi criada com este objetivo.
Quando surgiu a ideia de um espaço que se venda acima de projetos arquitetônicos, não quis dizer que sou o melhor arquiteto, que os meus projetos são os melhores, que sou extremamente diferente naquilo que faço. Apenas estava agregando algo a mais, pensando que o meu espaço não deveria buscar apenas o lucro, mas o desenvolvimento de ideias criativas, interconectadas com o cenário e o mundo das artes e tecnologia.
Esta fábrica não para, colocando empenho e aperfeiçoando cada vez mais o pouco que sabe, mesmo sendo mais um dos tantos que idealizam e sonham com um projeto de vida, um otimista utópico, por que não?

Publicidade Flyer THe ALLusion - 2017

O quanto isto faz sentido? Nenhum. Mas, aprendi que as coisas não devem fazer sentido quando buscamos por um lugar além do arco-íris. Coragem, inteligência e amor surgem com o tempo, até em criaturas onde não é possível acreditar em sua existência. Não sou o Grande Mágico de Oz, Todo Poderoso, para conceder desejos, mas sou o mesmo menino que ainda acredita em seus próprios sonhos.
E se não há lugar melhor do que o nosso lar, por que não contratar um arquiteto para realizar os seus?

Filme: Mágico de Oz – Primeira Versão 1939


THe ALLusion.
A Sua Fábrica de Sonhos! J

Referências Bibliográficas


Imagens – Google Imagens.

*VII – Encontro de História da Arte – UNICAMP – “Desenho, projeto e intenções em arquitetura: considerações sobre projetos não-construídos – Ana Tagliari e Wilson Florio.

domingo, 19 de março de 2017

THe ALLusiando Ideias 04

The ALLusiando Ideias 04
Vinicius Osterer, Março de 2017
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1


As peças de um todo: Cidade Fragmentada, Lorde e Ignácio de Loyola Brandão, o que possuem em comum?

Pois bem, vos pergunto: o que um jovem arquiteto recém formado, que mal tem experiência em projetos executados, está querendo me dizer quando fala que coisas aleatórias possuem algo em comum? E como ele acha essas coisas dentre tantas coisas que poderiam ser representadas e ter ligações mais expressas? E por que ele tem a audácia de dizer que sabe alguma coisa, ou tenta supor coisas que às vezes não fazem nenhum sentido?
Este arquiteto recém formado é louco por arte, por literatura e arquitetura. Este arquiteto acredita que as artes possam transformar a sociedade em um lugar mais representativo, livre e perceptivo, menos alienado. E todas as coisas possuem algo em comum: são feitas pelos melhores e pelos piores sentimentos humanos: o amor, o ódio, a raiva, a felicidade, o SONHO. Digo que este arquiteto recém formado é louco! E por ser louco às vezes sonha em demasia, por que para sonhar ele não precisa fazer um orçamento (mesmo sabendo fazer), para sonhar ele não precisa de um projeto detalhado (mesmo sabendo fazer), para sonhar ele não precisa executar nada na prática (mesmo sabendo fazer), para sonhar basta sonhar. E estes sonhos não são aleatórios, são pequenas peças de um quebra-cabeça universal, regido pela nossa vontade de superar todo e qualquer obstáculo.


E este quebra-cabeça de peças, não fica restrito apenas aos sonhos e a própria mente humana, cada vez mais fragmentada. Se resume a toda e qualquer obra materializada sobre o aspecto físico, que o homem produz. Sobre toda a arte. E como arte, diga-se de passagem, nós constantemente se esquecemos que vivemos dentro de um grande cenário de paisagens, com circulação de bens e pessoas, com infraestruturas que levam água, luz, telecomunicações, meios de transportes, áreas verdes, áreas construídas, vias públicas...
Esta paisagem vista em um todo, representa a obra em constante transformação humana, onde a mudança de imagem é tão significativa, que acaba sendo a própria epigênese de nossa espécie. Mas para que funcione de uma forma imediatista e perfeita ela deve ser pensada de uma forma fragmentada, porém não se esquecendo que toda e qualquer alteração afetará de forma direta o global, o todo. Assim também como em outras esferas.
Ver a cidade fragmentada é saber a importância de cada item, o seu planejamento e bom funcionamento. Cada infraestrutura deve representar sua própria função e mais, deve estar interligada de forma direta com todas as pessoas que a rodeiam, com seus ensejos e ideais. Aonde eu quero chegar com tudo isso?
Nossas cidades atuais não estavam prontas para a nossa imagem do presente. E não estarão prontas para o futuro. A grande máquina humana, está sobrecarregada de funções, prestes a explodir. A cidade do presente é reflexo cruel da falta de respeito pelas minorias, favorecimento de classes apoderadas e pouca representatividade social. Ela serve apenas a quem está apto a utilizá-la, com todos os seus manuais e normas, que não devem ser contrariados. E toda esta contrariedade está presente no conto: “O Homem que procurava a Máquina” de Ignácio de Loyola Brandão.

Ignácio de Loyola Brandão – Escritor Brasileiro.

Apesar do conto ser escrito no período da ditadura brasileira, os seus aspectos são universais e retratam significativamente os cenários urbanos brasileiros: a máquina (ou a modernidade das cidades, as cidades urbanas), transformando as paisagens naturais e mudando o processo e os comportamentos locais, que de maneira fragmentada muda o comportamento e processo de transformação global de uma nação. Este aspecto de interligação também é presente em sua obra, mostrando que a máquina emprega vários outros setores, todos dependentes uns dos outros. E se a máquina que não é racional e nem pensa, pode prever que sem esta dependência está fadada ao fracasso, nós com toda nossa condição, muitas vezes tão precária, apenas lidamos com nossos próprios interesses e sonhos, deixando de lado o social e aqueles que não nos representam, construindo muros, fechando nosso vidros em carros blindados, desmerecendo as minorias e construindo espaços privados.
Escolher se segregar em espaços fechados não seria o mesmo que construir um muro entre a fronteira de um país e outro? Não parece loucura? Por que haveria de ser tão diferente? Por tratarmos de uma realidade que não parece ser a nossa? Mas vivemos cercados de muros, físicos e imaginários. A sociedade cada vez admira mais aqueles poucos resquícios de pensamentos tradicionalistas, que colocam mulheres, negros, gays, imigrantes, indígenas, dentro de caixas, cercados por muros como em campos de concentração. Mas quem está fora e quem está dentro? É aquela velha história de que no mundo não existe fora...
E na arquitetura também é assim, correto? Até que ponto você é isento de querer realizar o seu sonho para realizar o sonho de seu cliente? As realidades tantas vezes são diferentes, e as escolas de arquitetura padecem deste lado imaterial de pensamento. Por que a arquitetura que transpassa o papel e a tela dos computadores, que entra dentro dos livros de história e representa uma sociedade, parece estar em brasas. Parece vivenciar essa crise que nunca acaba, crise que passa da economia para o papel, do papel para a execução, da execução para uma família, da família para a sociedade. Um ciclo constante de crises, onde até mesmo o sonho entra em ruínas.
E o homem é massacrado pela máquina. Por que a máquina não quer alguém que a entenda, alguém que a desvende por completo. Quer alguém que a mantenha, que a deixe produzir seus produtos em série.
E o que nos resta é apenas nos perguntarmos, como na letra da música “Team” da cantora neozelandesa Lorde: esta cidade em que eu vivo, retrata a minha condição de existência humana?

“[…] We live in cities you'll never see on a screen
Nós vivemos em cidades que você nunca verá nas mídias
Not very pretty, but we sure know how to run free
Não muito bonitas, mas nós certamente sabemos como levar a vida
Living in ruins of a palace within my dreams
Vivendo nas ruínas do palácio dentro dos meus sonhos
And you know, we're on each other's team […]”
E você sabe, estamos um no time do outro.

Diga-se aqui: no Time Humano!



Equipe THe ALLusion.
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Referências Bibliográficas


Imagens – Google Imagens.

Letra Team – https://www.letras.mus.br/lorde/team/

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

The ALLusiando Ideias 03

The ALLusiando Ideias 03
Vinicius Osterer, Setembro de 2016
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1


Será que eu sou bonito?: Pompidou, Redes Socias e Damien Hirst

Você já se fez essa pergunta hoje? Você já recebeu uma curtida na sua publicação do facebook, na sua foto do instagram? Será que eu sou bonito? Será que eu tenho algum valor? O que a arquitetura, a escultura e a fotografia tem a haver com isso?
Para este tema nada mais significativo do que os exemplos a seguir. A vida imita a arte ou é mera imaginação utópica da minha cabeça?

Museu de Pompidou em Paris

Como não falar do clássico da arquitetura projetado por Renzo Piano e Richard Rogers? Uma estranheza tamanha para a cidade na época. Uma enorme estrutura aparente, com alta tecnologia, com tubos de ferro e aço conectados em um sistema de exoesqueleto monumental e grandioso. O maior Museu da Arte Moderna Europeia, construído em 1977, recebe anualmente mais de 6 milhões de pessoas, uma das obras mais visitadas de toda a França. Além de ser considerado o grande representante da arquitetura pós-moderna, pode representar simbolicamente um processo comum da filosofia e das artes: o que é a beleza? Pode-se dizer que esta beleza da obra, pode ser encontrada pela sua estrutura harmônica, seu projeto inovador, suas qualidades estéticas provocativas. Pode ser que achem que este emaranhado de ferros só é bonito pela representatividade que possui dentro da cultura arquitetônica e mundial, que não é belo, mas significativo. Pode ser ainda, que considerem algo feio, inserido dentro de uma cidade notória por sua característica histórica marcante. Este projeto não poderia simplesmente representar a visão poética de que nem sempre o que é bonito é externo? Que nem sempre o ousado é feio? Que ás vezes a estrutura é mais significativa do que o próprio acabamento? Que a origem da beleza é estruturada pela perspectiva de que nem sempre o que é belo é material e alcançável? O que é agradável aos olhos preenche o coração?

Redes Sociais

(Imagem mais curtida do Instagram no mundo – com quase 4 milhões de likes. Recentemente a cantora Selena Gomes deu uma pausa na sua carreira artística para tratar-se da depressão e ansiedade)

Significativa parcela da população mundial atualiza suas redes sociais com certa frequência. Se pensarmos na cidade moderna não podemos pensa-lá apenas como material, mas como simbólica imaterial e virtualmente. Uma cidade não é apenas feita pelos seus espaços públicos e privados, mas pelas fotos disseminadas nas redes sociais, pelos tantos check-ins em estabelecimentos, lojas e lugares, pelos inúmeros aplicativos que surgem mensurando a qualidade dos lugares para se divertir, para se encontrar, de alimentação, cultura... Dentro desta cidade virtual, cada pessoa é dona daquilo que ela quer, do que ela acha conveniente para ela, do que ela precisa e quer ver ou opinar. Ela está inerte aos problemas sociais, escondida de criminosos armados e perigos constantes de uma cidade material. Ela sempre está feliz, sempre tem alguma coisa, sempre faz alguma coisa, sempre tem uma opinião. Nesta cidade cibernética onde se pode editar o quanto quiser a sua própria imagem, o que é ilusão e o que é de verdade? A beleza passa a ter um filtro que mascara à duras penas uma cultura cada vez mais tenebrosa de ódio. Esta beleza alienada acaba se transformando em uma vida com horários, sistemas e fluxos tão complexos quanto a rotina de uma cidade real. O que você idealiza para você como imagem é o que você realmente quer?

Damien Hirst – For the love of God

Notoriamente conhecido pelos seus trabalhos polêmicos e temáticos sobre a morte, Damien Hirst provoca críticas positivas e negativas sobre o seu trabalho. O que é nojento e grotesco e o que é belo? É isso que muitos críticos de arte se perguntam ao verem seus trabalhos expostos em museus. Com animais mortos em formol e coisas a mais do gênero, é sua obra “For the love of God (Pelo Amor de Deus)” que mais chama a atenção para esta análise. Considerada a obra de arte moderna mais cara do mundo, temos a simbólica escultura de uma crânio humano real do século 17, cravejada com quase 9 mil diamantes. A beleza está naquilo que eu tenho? Mas não somos todos iguais após a morte?

E aí o que você acha?
Se a arte é tão ousada, ilusória e grotesca ela pode ser bela?

Equipe The Allusion.
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segunda-feira, 27 de junho de 2016

The ALLusiando Ideias 02

The ALLusiando Ideias 02
Vinicius Osterer, Junho de 2016
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1


Arquitetura Social, Filme “Metropolis”, Álbum “Animals” – A luta de Classes!

A arquitetura assim como a cidade é a expressão material da luta de classes, e da condição de poder de um ser humano contra o outro. Grandes prédios envidraçados contrastam a miséria das periferias e áreas degradadas das cidades.
O arquiteto passou de construtor de obras à gênio da criação, onde cada vez mais o projeto arquitetônico é visto como um patrimônio autoral de um profissional das artes, perdendo o seu carácter crítico e social.
A arquitetura passou a ser uma fábrica de dinheiro, e o projeto arquitetônico o seu marketing ou produto do mercado. A população de um modo geral não participa mais das etapas do projeto. São vistos cada vez mais como compradores de um produto já pronto, com medidas já prontas, características já prontas, deixando cada vez mais o pensamento de gosto individual na contramão, exaltando uma cultura egoísta e muito difundida na construção civil: a racionalização projetual e de ideias.
Com isso racionaliza-se não apenas o material físico da obra, como o material empírico do projeto – o sonho do ser humano de ter o seu lugar no mundo, o seu próprio espaço.
Ainda dentro desta perspectiva de racionalização da construção civil, a arquitetura social é que mais sente os seus resultados negativos. Constrói-se cada vez mais casas para diminuir o déficit habitacional de uma forma padronizada, sem qualidade e desprovida de infraestruturas vitais para uma econômica sustentável. Criam-se grandes conjuntos habitacionais isolados do espaço urbano e da cidade, gerando mais segregação e violência. E o Estado que por dever deveria garantir o direito constitucional da moradia digna, acaba caindo dentro de seu próprio pensamento de que: “É de graça isso mesmo”.
Toda essa graça acaba em desgraça: para o espaço urbano das cidades, para a luta constante de classes e para os moradores destas áreas, segregados das oportunidades e infraestruturas que garantiriam uma melhora significativa de sua renda e seu poder sobre o espaço. Na prática o poder está nas mãos daqueles mais poderosos, mais organizados quanto classe e mais providos de informações que beneficiem os seus próprios negócios e não o bem estar coletivo.
Quem é pobre não tem o direito a arquitetura e ao urbanismo. Tem que se contentar com as misérias de um espaço periférico e com uma moradia racionalizada no método construtivo, em espaços, em programa de necessidades e em acabamento. Não se leva em conta que somos plurais. Por que o bem coletivo é posto de lado para a singularidade de interesses.
Hoje em dia a arquitetura de má fé e falsificação ganha cada vez mais espaço, dentro de uma economia onde aquele que se diz “arquiteto” idealiza o seu pensamento e seu negócio acima de todas as coisas. Esquece do lado humano de sua profissão por estar diariamente envolvido com coisas sólidas e imateriais. O arquiteto moderno deveria ser mais humanista, se desprender da poluição visual que abre feridas dentro do espaço das cidades, e tentar cada vez mais entender o verdadeiro sentimento e necessidade de quem requer o seu trabalho.
Nesta constante luta de classes, “poucos decidem por muitos”. E é ridículo ver que poucos arquitetos não vivem dentro de uma economia de mercado. O que se se vê dentro de nossa classe é a deslealdade para novas ideias, gentrificação do poder para poucos e criação de verdadeiros cartéis de mercado – núcleos onde pensa-se apenas na sua classe profissional, se padronizam os preços de mercado para diminuir a concorrência e não se busca o interesse coletivo.
Mas nem tudo está perdido. Vemos por exemplo arquitetos humanistas recebendo prêmios consagrados por obras de caráter social como Alejandro Aravena, para citar um latino americano. Enquanto arquitetos nós não devemos apenas criticar este processo de luta de classes mas começar a difundir e mostrar que a arquitetura é mais do que estilos e formas, é o próprio morar e habitar humano, uma característica primitiva de nossa vida em sociedade.
Projetos Elemental – Alejandro Aravena e a Arquitetura Social.

A indústria do cinema já produziu grandes filmes que retrataram a luta de classes e o seu futuro apocalíptico. Metropolis de 1927, realizado pelo cineastra austríaco Fritz Lang é um exemplo e exponencial da ficção expressionista alemã.
Uma obra além de seu tempo e considerada até hoje atual, passa-se no ano de 2026, em um mundo utópico (será?), onde os poderosos ficavam na superfície da cidade, com seus jardins e luxo, enquanto os operários trabalhavam em um regime de escravidão abaixo da superfície, na Cidade dos Trabalhadores.


Fime “Metropolis” – 1927


Este tema é retratado também dentro da indústria da música. A banda britânica Pink Floyd em seu álbum Animals (1977), retratou a sociedade dividida entre três classes: porcos tiranos (força política), cachorros autocratas (força restauradora da ordem) e ovelhas submissas (massa trabalhadora). O álbum foi uma dura crítica ao consumismo, a opressão e as desigualdades sociais do mundo. Retrava também que somente quando a ovelha submissa tivesse controle de si mesma poderia derrubar as forças dos porcos tiranos e cachorros restauradores da ordem, garantindo um mundo mais igualitário e sem classes.

Capa do Albúm “Animals” – Hipgnosis e Pink Floyd

Publicidade “The ALLusion” – Fevereiro de 2016 – Inspiração.

A luta de classes sempre irá existir dentro do sistema em que vivemos. Por isso é de extrema necessidade que nós arquitetos e urbanistas, responsáveis pelas primordiais mudanças físicas das cidades, estejamos imbuídos da criação de espaços mais sociais e inclusivos e menos segregantes e individualizados. Todos nós somos responsáveis por uma sociedade mais justa e digna, não apenas nossos governantes. Que essa realidade não seja retratada apenas na indústria cinematográfica ou na musical, que possa ser cada vez mais expressa e mais igualitária na arquitetura e no urbanismo das cidades atuais.

Equipe The Allusion.
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Referências Bibliográficas






quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fábrica de Sonhos!

Somos da mesma classe, da classe que trabalha! Não precisamos gostar das mesmas coisas, fazer as mesmas coisas e precisar sempre do mesmo. Não somos um exército de robôs, ou somos? Não! Nós somos diferentes e respeitamos os sonhos diferentes. Venha fazer esta diferença conosco, pois a sociedade é um espaço da diversidade!



Att. Equipe The ALLusion :)

quarta-feira, 23 de março de 2016

The ALLusiando Ideias 01

The ALLusiando Ideias 01
Vinicius Osterer, Março de 2016
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1


O que a Bauhaus, Tommaso Campanella e Tarcíla do Amaral possuem em comum?

Para começar a explanar sobre a ideia, devemos estar inseridos, de uma forma sintetizada, sobre o que é a Bauhaus e quem foram tais personalidades e obras analisadas.
Para compreendermos os motivos pelos quais a Bauhaus surgiu, devemos remontar os pensamentos anteriores e os pensamentos vigentes do seu período de criação. A escola alemã de arquitetura e design, surge em um ambiente pós primeira guerra mundial, que passava por um intenso processo de industrialização dos trabalhos manuais. Buscava de uma forma idealizada a criação de uma arte total, que seria condicionada pela integralização dos diversos trabalhos dos escultores, pintores e arquitetos. Conecta-se com célebres artistas plásticos de sua época como Kandinsky e Klee e seus respectivos movimentos expressionistas e abstracionistas para conceber um novo modelo arquitetônico, desprovido de ornamentos e valorização de formas geométricas.

Bauhaus.

Kandinsky.

Tommaso Campanella, filósofo de pensamento idealista, possui como expoente a sua obra “A Cidade do Sol”, relato de como a cidade e a sociedade deveria ser organizada. Nesta cidade idealizada o governo se dava por um grande líder chamado sol e três outras ajudantes: a potência (capacidade de ser e ter qualidades que ainda não é ou tem), a sapiência (a habilidade de saber que existe e é algo) e o amor (o querer e gostar de ser o que é).

Cidade do Sol de Campanella.

Para finalizar e não sendo menos importante, Tarcíla do Amaral, uma das figuras centrais da pintura e da primeira fase do movimento modernista no Brasil, ao lado de Anita Malfatti. Sua arte passou por diversas temáticas e fases, sendo as mais marcantes: o “Movimento Antropofagia” – que pregava a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira. Destaque para a obra “O Abaporu”. A “Fase Social” – onde a artista plástica sensibilizou-se com a causa operária e produziu obras de grande valia como “Operários” e “Segunda Classe”.

“Abaporu”, “Operários”. Obras de Tarcíla do Amaral.

O que tudo isso possui em comum? De uma maneira genérica posso sugerir que assim como a Bauhaus buscou por uma integralização de uma arte que fosse total, Campanella e Tarcíla também compuseram suas artes totais, quer seja idealizando uma sociedade perfeita ou unificando a literatura e a arte moderna autenticamente brasileira.
Se a escola de arquitetura Bauhaus conseguiu, primeiramente de uma forma idealizada, a concepção de um novo estilo arquitetônico, devemos levar em consideração a sua influência dentro de vários processos. Com a realização de diversas conferências e congressos internacionais, a arquitetura moderna pôde se estabelecer de diversas formas nos mais variados países, concebendo o estilo internacional de se projetar edifícios.
Este estilo foi apropriado pelos arquitetos brasileiros, maior evidência em Oscar Niemeyer, que assim como os modernistas brasileiros absorveu a cultura externa (como no movimento antropofagia) e abrasileirou com as formas e curvas das mulheres brasileiras, como ele mesmo citava em suas entrevistas, suas influências Le Corbusianas. Lúcio Costa, outro famoso arquiteto e urbanista desta época, com seu projeto piloto para a cidade de Brasília, a nova capital federal, introduziu ao mundo de uma forma artística, o que era idealizado por todos os princípios de uma cidade moderna: o morar, o circular, o habitar, o trabalhar e o recrear.

Museu de Arte Contemporânea de Niterói – Oscar Niemeyer.

Vista área e parcial da Cidade de Brasília – Lúcio Costa.

Estas idealizações de cidades modernas, buscadas pela Bauhaus e posteriormente pelos CIAM’s (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna) já são conhecidos dos filósofos idealistas como Campanella. Na sua “Cidade do Sol” além de prerrogativas de como esta se encontrava implantada e ordenada, idealiza-se a maneira de como seus habitantes se comportariam, como atuariam politicamente como cidadãos no ambiente urbano proposto e como o saber deveria ser irrestrito e coletivo.
Se Tarcíla do Amaral participou de forma intensa do movimento modernista das artes brasileiras, da mesma forma podemos observar em suas obras de caráter social, a industrialização brasileira, suas massas de operários com rostos e diferenças raciais e ideológicas. Todo este processo de industrialização, muito pregado pela arquitetura e pelo urbanismo moderno, não se atentou ao simples fato que Tarcíla já deixou evidenciado: somos seres humanos diferentes em busca de um progresso único, situação única da qual não podemos fugir.
Se por um lado a industrialização desenvolveu a nossa sociedade moderna, ela nos privou de idealizar as cidades modernas, as concepções arquitetônicas modernas e os movimentos artísticos, que se encontram estagnados por décadas. A última grande contribuição da arte para a sociedade foi o movimento POPART, mas este é um assunto para outra ALLusiação de ideias.

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Referências Bibliográficas


4.    Imagens – Google Imagens.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Industrialização e os Projetos Arquitetônicos Atuais

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Vinicius Osterer, Fevereiro de 2016
Arquiteto e Urbanista CAU/PR n° 168114-1

A arquitetura com o decorrer dos tempos passou de simples desenhos, que até então eram executados pelos antigos mestres de obras que dominavam as técnicas construtivas, para uma grafia de elementos e símbolos que registram uma tarefa para a sua execução, traduzindo uma informação técnica de forma simbólica e hierarquizada (CATTANI, 2006).
Mas, o processo do projeto arquitetônico vai muito além de sua forma simbólica. Pode evocar a poética, a visão abstracionista e a subjetividade, o talento, a imaginação e a inspiração. Podem evocar regras, cânones e padrões que deverão ser seguidos ou a racionalidade, programas informatizados, pesquisas e probabilidades (CATTANI, 2006). Advindo de várias destas vertentes surgem as grafias simbólicas desta profissão. O arquiteto e urbanista além de dominar as técnicas e simbologias deve estar apto e treinado ao processo e as etapas do projeto arquitetônico, onde os interesses dos clientes devem ser somados com as simbologias e ao processo de desenvolvimento integral do projeto.
Uma das grandes dificuldades das pessoas de modo geral, é analisar o trabalho do arquiteto sobre a perspectiva de que ele apenas gera um desenho, ou ainda que não entende na prática o que coloca no papel. Mas, o que se observa em muitas vezes é a falta de diálogo entre cliente e profissional, ou ainda a falta de capacidade de muitos profissionais desta fábrica de sonhos, que é a construção civil, de transpor para o material o desejo de seus clientes. O processo de um projeto de sucesso é resolvido além dos desenhos ou da técnica empregada. É resolvido desde o primeiro contato com o cliente até as suas fases subsequentes como o programa de necessidades, pré-dimensionamento, pré-definição dos partidos que serão adotados, estudos preliminares, anteprojeto e o projeto executivo (CATTANI, 2006).
A racionalização da construção civil (defendida por grandes arquitetos internacionais como Groupius ou Le Corbusier e demais arquitetos modernistas no fim do século XIX e começo do século XX) contribuiu de uma forma decisiva para o surgimento do emprego de novas técnicas construtivas como o concreto armado, trazendo o processo industrial para os projetos. Desde sua concepção ao seu acabamento final o processo de racionalização e industrialização nos dias atuais, é vital para um projeto arquitetônico.
Se apoderando deste processo industrializado o mercado imobiliário passou a utilizar a racionalização do espaço e dos recursos utilizados, para a concepção de uma nova maneira de se habitar nas cidades brasileiras. As famílias de renda média e baixa no país, passaram a ter acesso a moradias com áreas reduzidas pensando sempre que possível na racionalização de todo o processo (FOLZ, 2005). O que pode ser visto, não muito longe da nossa realidade, é que os próprios projetos arquitetônicos passaram a desvalorizar as vertentes da poética, do talento e da imaginação e se render as experiências que deram certo em um canteiro de obras, vendendo-as apenas com outras roupagens. Não se assuste se você não achar a sua própria casa nos dias de hoje! Ela deve estar lá, inserida entre as tantas casas iguais que seus vizinhos e seus conhecidos moram.
Muito desta nova realizada é disseminada pela cultura digitalizada da concepção projetual moderna. Se no passado a materialização dos desenhos e grafia simbólica se dava pelo papel, hoje em dia as técnicas informatizadas traduzem de uma forma mais rápida a resolução de projetos complexos e com alto nível de concepção. Contudo no caso do arquiteto e urbanista, o deixa amarrado, em muitos casos, ao o que um programa pode ou não fazer e executar, muitas vezes limitando o exponencial máximo da concepção arquitetônica projetual (NARDELLI, 2007).
Para a venda de unidades e retorno financeiro imediato, a concepção e o desenho das plantas baixas representa apenas um fator dentre outros que compõe um empreendimento imobiliário, indo na direção oposta da ideia de que é na elaboração da planta baixa que se define qual será a utilização dos ambientes e como o futuro usuário se apropriará deste espaço.
Usurpando os argumentos modernistas: racionalização, simplificação, redução de custos, plantas baixas padronizadas, no caso brasileiro atendendo as necessidades do programa tradicional (sala, quartos, banheiro e cozinha, mais a lavanderia), os projetos arquitetônicos passaram a concorrer com a especulação imobiliária, que reduz as áreas utilizáveis dos ambientes para garantir um menor custo, inviabilizando a realização de múltiplas tarefas em um mesmo ambiente (QUEIROZ, 2008).
Dentro desta realidade, ainda temos que levar em consideração, os perfis de clientes que a construção civil atende mercadologicamente, e compreender que é sobre eles que são realizados os principais financiamentos públicos e privados de novos empreendimentos ou moradias.
O projeto arquitetônico ainda é concebido sobre a estrutura familiar tradicional do século XX. Não se atenta ao fato de que hoje já possuímos os jovens sozinhos e autônomos, casais sem filhos, pessoas separadas e outros, que alteram significativamente a maneira de se pensar a espacialidade das edificações residenciais brasileiras. Passamos por um processo de remodelagem, onde as pessoas redefiniram suas relações entre o que é ser um pai, uma mãe, um filho, ter uma personalidade e opinião definida ou tratar com maior visibilidade os aspectos relativos a sexualidade e liberdade de opinião (QUEIROZ, 2008).

Equipe The Allusion.
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Referências Bibliográficas

1.       Revista Arqtexto: Airton Cattani, 2006 – Arquitetura e Representação Gráfica: considerações históricas e aspectos práticos.

2.       Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, Belo Horizonte, v. 12, n. 13, p. 95-112, dez. 2005 – Rosana Rita Folz: Industrialização da Habitação Mínima: discussão das primeiras experiências de arquitetos modernos 1920-1930.

3.       Arquiteturarevista  - Vol. 3, n° 1 : 28-36  (janeiro/junho 2007) – Eduardo Sampaio Nardelli: Arquitetura e projeto na era digital.

4. Fábio Abreu de Queiroz – Apartamento Modelo: arquitetura, modos de morar e produção imobiliária na cidade de São Paulo. Dissertação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Carlos – 2008.